Blog da Pands

15/12/2006

no canto do bar:

a rapariga flerta forte com o mancebo enquanto o namorado ciumento, de olho no crime, range os dentes. ela, nem aí. é a rainha do flerte e acha ciúmes a coisa mais detestável, estúpida, desprezível. o namorado se aproxima, a rapariga sobe no salto, o mancebo à toa nem percebe. vem o namorado e pega o corpo da rapariga, bota no ombro e anda pra fora do bar. a rapariga se indigna, as amigas acham uó: “mas que homem das cavernas!”

fora do bar:

carregando a rapariga no ombro, o homem das cavernas chega ao estacionamento. apóia com delicadeza primitiva o corpo da fêmea sobre um volkswagen qualquer, tira suas calcinhas sob a saia e fode-a loucamente.

de volta, no canto do bar:

o mancebo à toa está bêbado, a rapariga está em silêncio, o namorado fuma um cigarro, a rapariga está dividida. uma parte de si (a parte escolarizada) acha um absurdo, o cúmulo do machismo, um extremo autoritarismo, uó. outra parte (a parte boa) está apaixonada e sim, vai casar.

Escrito por ana pands às 12h59

 ]  [ Envie esta mensagem ]

13/12/2006

as coisas não têm dado muito certo. parece que meu destino é deixar o cabelo armar, a barba crescer, a olheira aparecer, fumar derby de maço, tomar pinga com dolly, vestir camisa de vereador, contar histórias repetidas, ser aquela que todos dizem “putz, lá vem aquela” e arrumar um emprego de professora de ginásio (português, literatura e descabaço de púberes).
(...)
até que, tirando a barba o derby a dolly e o vereador, o resto não parece tão ruim…

Escrito por ana pands às 16h32

 ]  [ Envie esta mensagem ]

04/12/2006

a vida é doce

muitos são os discos que caem bem em dias nublados (na verdade, quase tudo que é bom cai bem num dia nublado, por isso a vida vale a pena) mas, se o dia está cinza, a ventania se aproxima, as folhas secas batem no chão e você acabou de dar ou tomar um puta pé na bunda, será altamente aprazível ouvir A VIDA É DOCE, do LOBÃO. é intenso, bonito, sacana e meio brega.

“e talvez a chuva, o cinza, o medo, a vida
sejam como eu
ou talvez porque você esteja, de repente,
assistindo muita televisão
e como um deus que não se vence nunca
o seu olhar não consegue perceber
como uma chuva, uma tristeza
podem ser uma beleza
e o frio
uma delicada forma de calor”

Escrito por ana pands às 18h42

 ]  [ Envie esta mensagem ]