tava fazendo um trabalho tão fofo, a história de um jovem casal apaixonado viajando de carona na estrada durante o verão, eles andavam de caminhonete curtindo o vento, depois ficavam amigos de um senhor bonachão e bigodudo que tinha um fusquinha azul, tomavam tequila ao pôr-do-sol, nadavam pelados, dormiam na areia, essas coisas. o momento mais grave da historinha, até três semanas atrás, era quando eles eram picados por borrachudos, e só.
hoje, terminando o trabalho, não sei dizer em que momento a coisa virou a história de um jovem casal fugindo pelo esgoto de uma cidade abandonada num mundo pós-apocalíptico, andando no lixo, usando máscaras de gás, tomando chuva ácida, essas coisas. o momento mais romântico da historinha, hoje, é quando eles jantam uma comida enlatada à luz de lanternas, dentro do esgoto.
ainda não sei exatamente o quê, mas isso deve significar alguma coisa...
1. comece com um vídeo intergalático, colorido e instigante, que conta uma história ("oh, so you are here in a devo show, huh spud?!"), fala sobre a teoria da de-volução e faz o público ficar todo em silêncio, prestando atenção.
2. quando todos estiverem babando de expectativa, entre no palco vestindo o macacão amarelo, aquele, o chapéuzinho vermelho, aquele, e dance como robô, daquele jeito (obs.: se, no caso, a banda tá mais pra ANTIGA, o público vai estranhar um pouco ver o tamanho da barriga no macacão amarelo aquele, mas não esquenta, isso passa logo).
3. toque bem e garanta que o som esteja ALTO. goste de tocar. goste MESMO.
4. tire o macacão de repente, ficando apenas de bermudinhas e joelheiras.
5. divirta-se.
6. we must repeat.
7. are we not men?
8. we are dee-vo
9. are we not men?
10. d-e-v-o
11. no final, dê uma varridinha naquela sujeira do seu camarim:
12. we must repeat
* * *
OBS.: ok, esse show foi a duas (três? quantas?) semanas atrás, mas neste blógue as coisas demoram mesmo pra acontecer, e assim será para sempre.
uma grande diferença entre eu e o RONAS, fora a barba (porque a minha não é grisalha), é que ele não dá muita atenção às coisas que ele mesmo diz ou pensa, enquanto eu pretendo usá-las, todas, pra FICAR RICA.
um simples papo sobre MULHERES, por exemplo, já culminou em grande economia mensal na minha conta bancária, como você pode acompanhar a seguir:
ronin says: olha panda, vou te falar um negócio que você tem que guardar com muito carinho pandez says: hm ronin says: não acredita em mulher, tá? pandez says: não?!? pandez says: mas... mas... pandez says: nem na maysa? pandez says: nem na heleninha roitman, minha ídala??? pandez says: nem na analista????????? ronin says: é tudo a mesma coisa ronin says: por que a analista merece mais crédito que, sei lá, a caixa do supermercado? ronin says: melhor você ir na manicure, que é mais barata, mais divertida e te fala as mesmas coisas, basicamente larga ele ou volta pra ele pandez says: é! pandez says: e ainda saio com unhas coloridas! ronin says: pois
resultado: muitos reais economizados e uma vida mais simples, já que Marilúcia, a manicure, resolve os problemas com frases como “lá de onde eu venho o nome disso tudo aí que cê tá falando, minha filha, é SEM-VERGONHICE.”
genial! adeus complexas questões subjetivas, adeus tentativas de identificar padrões de comportamento, adeus vontade de dar pro pai e aquela coisa toda...
"(...) É UMA PERDA DE TEMPO INFERNAL - como tudo, aliás, que não seja uma boa trepada, um dia de sorte na máquina de escrever, um período de convalescença ou a crença cega que se possa ter numa espécie de amor&felicidade futuros. no fim todo mundo vai parar no mesmo penico de excrementos do fracasso - na morte ou no erro, dependendo do nome que cada um preferir. não sou nenhum intelectual, mas acredito piamente que a gente deve se adaptar ao que vem pela frente, o que se poderia chamar de experiência, ainda que não se tenha muita certeza de que junto com ela se adquira sabedoria. além disso, é bem possível também que uma pessoa passe uma vida inteira de erros constantes numa espécie de torpor e horror. vocês já viram esses rostos. eu já vi o meu." bukowski
“eu te conheço, você me conhece, eu te entendo, você é exatamente como eu, aprendemos nomes de coisas que nunca vimos, aprendemos palavras demais e agora procuramos desesperadamente por algum objeto cortante capaz de furar a bolha feita de plástico e palavras à nossa volta; você pode dizer que já não se importa, que agora está tudo bem, que não faz mais a menor diferença, que cresceu e aprendeu a lidar e então continuar hibernando no casulo morno de seus lençóis, mas você sabe, isto não deve durar, eu te conheço, você me conhece, e nós dois sabemos o quanto o conforto e a comodidade são entediantes.”
- assim disse o rapaz do disk-pizza, depois de anotar meu pedido (meia napolitana, meia baiana, mais uma coca e troco pra cinqüenta) neste domingo à noite, frio e derretido, provando que o mundo é mesmo muito surpreendente e que coisas fantásticas não páram de acontecer.
será que a polícia federal faz reunião de criação pra decidir os nomes das operações? como será o brainstorm deles? estes nomes não são muito espirituosos?!?
operação MECENAS: investigar quadrilha do ministério da cultura que beneficiava grupos para conseguir incentivo fiscal pela lei rouanet
operação NARCISO: sonegação de impostos da loja daslu
operação MIRAGEM: investigar quadrilha que botava dinheiro falso em circulação
operação GAME OVER: busca e apreensão em casas de bingo
operação ISCARIOTES: desarticular quadrilha que desviava o dinheiro da visitação do cristo redentor
operação BANCO IMOBILIÁRIO: desarticular crimes de moeda falsa
operação FREUD: desarticular quadrilha que fraudava a previdência social envolvendo doenças psiquiátricas
ronin diz: http://runningfromcamera.blogspot.com punxxx diz: hrhrhrrhr que legal ronin diz: ne punxxx diz: mucho punxxx diz: putz só lugares foda ronin diz: é holanda punxxx diz: no brasil não dá pra fazer isso, a hora que você corre roubam a câmera ronin diz: ou a polícia atira em você
hello everybody! (leia-se: olás queridos seis leitores!)
procuro intensamente dicas de livros/filmes/coisas sci-fi à la mad max, blade runner, admirável mundo novo, 1984, 2001, 2010, solaris, metrópolis, fahrenheit 451, inteligência artificial, laranja mecânica, star wars, star trek, neuromancer, matrix, extermínio, fundação, eu robô, isaac asimov magazine, etc.etc.etc., de preferência coisas que possam ser lidas de graça no café do fnac.
só não valem os já citados, nem previsões da mãe diná, nem nostradamus, nem o apocalipse da bíblia. se tiver humor, melhor. romances de ficção científica geralmente são tensos e políticos, mas alguns também têm graça:
não consegui achar (principalmente porque não procurei) o livro “nós”, do russo evgeny zamyatin, que, segundo consta, influenciou todo mundo citado acima e também é futurista e político, mas cheio das sátiras. li na internet que ele tem uma história em que o presidente decide fazer todo mundo feliz e igual, então todos têm que rapar os cabelos pra serem iguais ao calvos, depois diminuir a capacidade intelectual pra serem iguais ao deficientes mentais e assim por diante...
fora essa, tem um conto dele na internet que começa assim:“it all began with a completely fantastic event. to be exact, the great king of the jungle, the lion, was dead drunk." e ele ainda diz que: “humor and laughter are the hallmark of a vital, healthy man who has the strength and the courage to live.”
very interesting.
outro que tem humor é “a cidade dos afixiados”, régis messac. um burguês do séc XX é projetado no espaço-tempo e vai parar numa cidade subterrânea e sufocante, onde os filósofos passam o tempo resolvendo palavras cruzadas, os músicos são surdos e os pintores são cegos. o tal burguês fica tentando se comunicar com seus amigos do passado (presente?) escrevendo mensagens numa cartolina (!!!) e enquanto o cara só se fode, os amigos tiram um sarrinho porque o cara é limitado e usa “expressões tão tolas”... ainda não acabei de ler esse, mas até agora tem sido muito divertido.
de brasileiros, acabou de sair “diário da guerra de são paulo”, do fernando bonassi. ficção científica no brasil é basicamente GLORIA PEREZ, e tem uma pesquisa mostrando que tudo que sai aqui é imediatamente catalogado como “literatura infanto-juvenil”, independente do conteúdo. mas o “diário...” é infanto-juvenil mesmo e é muito bom. é escrito por um adolescente no meio de uma guerra civil em que as crianças formam facções terroristas e praticam atentados contra os adultos, embora ainda tenham medo do escuro. em alguns momentos nem parece ficção, mas o relato de situações que já acontecem hoje nas periferias do país, ampliadas às últimas conseqüências...
bom, com isso em mente, voltarei para a cidade dos asfixiados. um beijo.