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27/05/2008

adrian tomine
Escrito por ana punxxx às 11h06
25/05/2008
3 coisas, 2 poemas
1.“dylan & donovan”, hq de adrian tomine (optic nerve # 3), entraria imediatamente para a lista de cinco coisas mais bonitas que já li nesta vida, caso tivesse uma lista do tipo;
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2. tempos atrás, comentei aqui sobre um trabalho de crítica literária que entreguei na faculdade, pouco antes de desistir, classificando mario de sá-carneiro como uma bicha alucinada. pois bem, acabo de descobrir que não estava sozinha nesta teoria. os poetas latino-americanos bêbados andarilhos perdidos e cabeludos (ai que tesão), personagens de roberto bolaño em os detetives selvagens, no auge de um porre, lançaram essa:
“dentro do imenso oceano da poesia, são várias correntes: bichonas, bichas, bicharocas, bichas-loucas, bonecas, borboletas, ninfos e bâmbis. walt whitman, por exemplo, era um poeta bichona. pablo neruda, um poeta bicha. william blake era uma bichona, sem sombra de dúvida, e octavio paz, bicha. borges era bâmbi, quer dizer, de repente podia ser bichona e de repente simplesmente assexuado. ruben darío era uma bicha-louca, na verdade a rainha e o paradigma das bichas-loucas.
(...)
uma louca, (...) estaria mais próxima do hospício florido e das alucinações em carne viva, enquanto as bichonas e as bichas vagavam sincopadamente da ética à estética, e vice-versa.
(...)
o panorama poético, afinal de contas, era basicamente a luta (subterrânea), o resultado da pugna entre poetas bichonas e poetas bichas para se apropriarem da palavra. as bicharocas eram poetas bichonas no sangue, que por fraqueza ou comodidade, acatavam – se bem que nem sempre – os parâmetros estéticos e vitais das bichas. na espanha, na frança e na itália os poetas bichas foram legião, ao contrário do que poderia pensar um leitor não excessivamente atento.
(...)
e agora algumas diferenças entre bichas e bichonas. as primeiras pedem até em sonhos um pau de trinta centímetros que as arrombe e fecunde, mas na hora da verdade é uma dificuldade que deus me livre ir para a cama com seus cafetões da alma. já as bichonas parece que vivem permanentemente com uma estaca lhes remexendo as entranhas, e quando se olham num espelho (ato que amam e odeiam com toda alma), descobrem em seus próprios olhos cavos a identidade do Bofe da Morte. Bofe, para bichonas e bichas, é a palavra que atravessa ilesa os domínios do nada (ou do silêncio, ou da alteridade). quanto ao mais, e com boa vontade, nada impede que bichas e bichonas sejam bons amigos, que se plagiem com finura, se critiquem e se elogiem, se publiquem ou se ocultem mutuamente no furibundo e moribundo país das letras.”
(se este livro fosse lido no primeiro ano do curso de letras; se woody allen fosse lido no primeiro ano de filosofia; se groucho marx fosse lido nas ciências sociais, aí sim, quem sabe, talvez fosse possível frequentar alguma festinha na fflch.)
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3. passo por complicações. uma dor absurda, a garganta queimando ao respirar, hospital, injeção, gengibre, própolis, antibiótico, uma semana sem beber, sem fumar, dormindo bastante e falando o mínimo possível (essa é a parte agradável), muitos livros, quadrinhos, música, filmes, doces e algumas alucinações. ontem, por exemplo, vieram me visitar sheryl lee, o Braço, bob e mais um rapaz que não consegui distinguir se era rimbaud ou river phoenix... mas, de modo geral, tem sido interessante.
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4. agora, dois poemas de rubén darío, rainha e paradigma das bichas-loucas, em homenagem à parada gay e pra começar bem a semana:
Lo fatal DICHOSO el árbol, que es apenas sensitivo, y más la piedra dura porque ésa ya no siente, pues no hay dolor más grande que el dolor de ser vivo ni mayor pesadumbre que la vida consciente.
Ser, y no saber nada, y ser sin rumbo cierto, y el temor de haber sido y un futuro terror... ¡Y el espanto seguro de estar mañana muerto, y sufrir por la vida y por la sombra y por
lo que no conocemos y apenas sospechamos, y la carne que tienta con sus frescos racimos, y la tumba que aguarda con sus fúnebres ramos y no saber adónde vamos, ni de dónde venimos!...
Que el amor no admite cuerdas reflexiones
(A la manera de Santa Fe)
Señora, Amor es violento, y cuando nos transfigura nos enciende el pensamiento la locura.
No pidas paz a mis brazos que a los tuyos tienen presos: son de guerra mis abrazos y son de incendio mis besos; y sería vano intento el tornar mi mente obscura si me enciende el pensamiento la locura.
Clara está la mente mía de llamas de amor, señora, como la tienda del día o el palacio de la aurora.
Y al perfume de tu ungüento te persigue mi ventura, y me enciende el pensamiento la locura.
Mi gozo tu paladar rico panal conceptúa, como en el santo Cantar: Mel et lac sub lingua tua. La delicia de tu aliento en tan fino vaso apura, y me enciende el pensamiento la locura.
(1899)
Escrito por ana punxxx às 20h00
22/05/2008
o corpo de Cristianne


todas as Quintas celebramos a presença real e substancial do corpo de Cristianne.
Cristianne nasceu em Santana, Zona Norte de São Paulo, mas vive e trabalha como stripper em Sacramento, Califórnia, onde é mais conhecida como Cris.
ao topar com um artigo de São Tomás de Aquino na Reader's Digest, Cris refletiu sobre seu dia-a-dia na boate Le Flesh, e concluiu:
“sim! minha Carne é verdadeiramente comida e, meu Sangue, verdadeiramente bebido!”
Escrito por ana punxxx às 15h44
20/05/2008

Escrito por ana punxxx às 17h34
13/05/2008


you taste like the sky
Escrito por ana punxxx às 11h18
09/05/2008
love, hope & believe

Love, Hope & Believe, 2001
A modern version of the traditional Dutch symbols for hope (anchor), faith (cross) and love (heart). While the anchor, cross and heart have been replaced by a bottle of wine, a woman and a pig, AVL's modular symbols can be used in any combination: one may believe in women, hope for wine and love pigs; believe in pigs, hope for a woman and love wine; believe in wine, hope for pigs and love a woman.
de: http://www.ateliervanlieshout.com/
Escrito por ana punxxx às 16h59
07/05/2008
 manabu, acrílica sobre papel (detalhe), GALAN, miguel
Escrito por ana punxxx às 14h27
05/05/2008

tudo bem estar perdida às 3 da matina do outro lado da ponte. tudo bem tomar chuva. tudo bem ter que esperar até as 4e30, hora que passa o primeiro busão.

o problema é querer acender um, na chuva...

...e descobrir que só tem um fósforo na caixinha.
Escrito por ana punxxx às 11h32
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